sábado, 20 de outubro de 2012

MINHA ESSÊNCIA


Ando meio seco de ideias. Por isso deixo aqui uma das minhas crias do passado.

MINHA ESSÊNCIA


Olhe para mim e receba do meu sorriso,
Parte da minha essência -
Num riso breve e impreciso...
Tente decifrar o que ele quis dizer-te
Apenas com a tua imaginação.
Entenderás, porém, que esta tarefa é complicada,
Pois a maior parte da essência do meu ser
É em minha alma que está guardada.
Só terás acesso a ela,
Doando parte da tua essência,
Na forma de um sorriso...
Ou até na forma de um aperto de mão...
Abraça-me amigo
Diga-me bom dia, trata-me por irmão!

Isaías Gresmés 18/04/2009

sábado, 15 de setembro de 2012

MINHA HISTÓRIA


MINHA HISTÓRIA*

Minha mãe antes de me deixar, ensinou-me muitas coisas. Ainda sinto a presença dela e sei que ela nunca me deixará sozinho.
Certo dia perguntei à minha mãe como foi que eu cheguei a este mundo. Foi assim que ela me narrou o ocorrido:
- Meu filho era já tarde da noite, seu pai dormia ao lado da sua inseparável carroça, quando os doloridos sinais da natureza, avisaram-me que era chegada a hora de eu ser mãe. Aninhei-me ali perto do seu pai e confiei a minha sorte à suprema força que tudo rege, seja ela quem for.
- E meu pai mãe? Ele não te ajudou? – a interrompi, ansioso por saber da atitude que ele tomara na ocasião.
- Ele roncava meu filho... Por certo estava sob o efeito daquela coisa que o transformava quando ele a consumia...
- Entendo. Mas, continua!
- Você não veio sozinho não! Antes de você nasceu seu irmão, mas infelizmente a vida não quis nele aflorar, pois ele veio a este mundo apenas para cumprir aquela que para a maioria é a última etapa...
Minha mãe neste momento olhava para o horizonte como a refletir e continuou na narrativa.
- Logo em seguida veio você que, ao contrário do seu irmão, gozava de saúde!
- Que legal mãe!


Foi assim que eu fiquei sabendo da minha origem.
Minha mãe, a cada dia que se passava, eu sentia que ela já não trazia em seus olhos, o vigor de antigamente... Meu pai também se deteriora muito nos últimos tempos. E a causa era aquela água estranha que ele bebia.
Eu ficava muito triste com ele, mas o amava tanto quanto amava a minha velha mãe.
 Ela sempre me dizia:
- Meu filho, nunca abandone seu pai! Lembre-se, ele nunca deixou faltar nada para a gente... É certo que ele anda adoentado devido àquela coisa que ele toma a toda hora, mas é um homem bom e também nos ama. Esteja com ele mesmo depois que eu partir.
- Para onde a senhora vai partir mãe?
- Não sei meu filho, mas sinto que a minha hora está chegando! Mas não tenho medo não!
Neste momento minha mãe me ensinou uma lição que segue gravada em meu ser até hoje. Foi assim que ela iniciou a tal lição:
“ Eu sinto que já cumpri com a minha missão neste mundo... Nasci, cresci, tive a felicidade de arrumar um pai para você e agora me sinto pronta para seguir adiante... Já vi muitos dos meus semelhantes abandonados, surrados, mortos nas esquinas e até jogados em qualquer lugar, mas nada disso me assusta, pois sei que o que estava lá abandonado, surrado ou até morto em qualquer lugar, era apenas a parte que vira pó; algo parecido com os alimentos que comemos: parte alimenta nossos corpos; outra parte é  descartada por nossos organismos e virará pó novamente. Meu corpo virará pó, mas alguma coisa que vive dentro de mim não! Essa coisa que eu não sei nomear, permanecerá te vigiando para todo o sempre meu filho”.

Após algum tempo minha mãe se foi.
Meu pai ficou muito triste, mas dentro das suas possibilidades, concedeu a ela todas as honrarias fúnebres que certamente minha velha merecia.
Naquela noite meu pai, penso eu, exagerou no consumo daquela água fedida. De madrugada, também seu coração parou de bater. Cheguei bem perto dele e lambi-lhe a face já sem vida.
Agora eu estava sozinho no mundo, mas não sentia medo, pois sabia que minha mãe me vigiava e, talvez, meu pai também.

De repente senti alguns ruídos perto dali. Eram ruídos de rivais. Também senti um cheiro que me deixou alucinado. Aquele era um chamado do qual eu não pude resistir: era um cheiro de fêmea!
Sim, eu estava pronto para o combate com meus rivais! Era chegada a hora de perpetuar a minha espécie! Lambi a face novamente do meu velho e parti para cumprir mais uma etapa do meu destino, agora confiando apenas no meu instinto.

* Cachorro, às vezes, parece gente; e gente, às vezes, parece cachorro...


ISAÍAS GRESMÉS, 15/09/2012    

Meus sinceros agradecimentos aos amigos: Gerônimo e Luana.

       Meus queridos amigos, agradeço-lhes de toda a minha alma, pela gentileza de prestigiar a minha humilde página. Esse tipo de ação não não tem como mensurar, tampouco quantificar. Que Deus reserve a vocês as melhores recompensas.
        Da minha parte, continuarei na minha trajetória, escrevendo o que me vem na mente, na esperança de sempre encontrar almas caridosas, como as vossas, dispostas a reservarem alguns instantes das vidas, para a leitura dos meus textos.
       Abraços do amigo Isaías Gresmés.

15/09/2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

O DESPERTAR DO COMA



“Mais um dia, e tudo parece se repetir para mim. Ainda ontem acordei com a mesma sensação. Já faz algum tempo que eu não vejo minha mãe, meu pai, meus irmãos... Onde será que eles se meteram? Cá estou eu de novo, esperando meus amigos. A gente combinou de se encontrar para ir à passeata que ocorrerá no centro, em prol das Diretas Já. Eu particularmente acredito que, de agora em diante, as coisas vão começar a andar nesse país...
...Lá vêm eles
...Engraçado, tudo parece se repetir... Até posso predizer o que acontecerá no próximo minuto: os caras vão chegar naquele entusiasmo, afinal quem está à frente da nossa turma é o Claudião; esse cara é uma figura... quando bota alguma coisa na cabeça, ninguém tira. Lá na escola ele convocou toda a galera para a tal passeata.
 ‘Meu, agora é com a gente! Não podemos dar mole, senão perderemos essa chance que é única, de mudar definitivamente os rumos desse país! Abaixo a ditadura! Viva o Brasil!’ 
- O Claudião é gente fina...

Agora já estamos indo para o centro de São Paulo a fim de participar do movimento pelas Diretas. O ônibus está lotado, o dia está chuvoso, mas nada apaga nossa vontade de participar de um movimento que poderá mudar os rumos do nosso país... E eu já sei o que vai acontecer logo adiante, naquela curva... O ônibus vai derrapar, e, após isso, já não sei mais nada... Vou acordar no outro dia; notarei pelas ausências dos meus familiares; minha turma vai aparecer e novamente iremos à passeata em prol das eleições diretas; nosso ônibus vai derrapar na curva e, a partir dali eu não sei mais o que acontecerá...
 Será que eu morri?
A morte seria uma espécie de prisão num determinado intervalo de tempo ocorrido durante a vida?
 E se for isso, quem teria o poder de fazer o tempo andar?
 Ou estaria eu apenas sonhando um sonho enfadonhamente cíclico? Definitivamente não sei o que está acontecendo comigo... O engraçado é que eu tenho consciência de que algo muito estranho está acontecendo, mas não tenho como interferir...

Mais uma vez avisto a turma vindo na direção da minha casa... À frente se destaca o Claudião... Ele profere o mesmo discurso de ontem... anteontem... Eu já decorei a fala dele e de todos os outros meus amigos...
O ônibus...
 A curva...
 A  derrapada e, o que está acontecendo?
Que luz forte é essa?
 Meus olhos... Essa luz é muito forte... Meus olhos, não consigo enxergar direito...”

- Meu filho! Graças a Deus! Você está de volta! Obrigado meu Deus!
- Mãe... Que luz é esta... Apaga esta luz, por favor!
- Oh meu filho, é claro, apago sim... Você ficou muito tempo com os olhos fechados, vai ter que se readaptar... Mas o mais importante é que você está de volta! Obrigado meu Deus!

E assim, após passados vinte e oito anos, Januário, filho de dona Ambrosina, sai do coma. Ele havia sofrido um terrível acidente no dia em que estava indo para uma grande manifestação popular a favor das eleições diretas no país. Numa curva na Avenida 23 de Maio, o ônibus em que se encontrava capotou duas vezes e, em seguida pegou fogo. Todos os ocupantes morreram, exceto ele, o Januário. Mas a partir daquele dia ele mergulhou num estado de coma e, somente agora, depois de quase três décadas, ele volta à vida normal.
Sua recuperação após sair do coma foi surpreendente. Em poucos dias já falava, se alimentava normalmente e, passados alguns meses, já estava andando. Mas uma coisa não mudou: ele havia envelhecido vinte e oito anos sem se dar conta. Sua mente estava presa ao passado. Para ele era difícil até se acostumar com o próprio rosto, castigado pela passagem do tempo e pelas marcas do acidente do passado. Januário precisava tomar um rumo na vida. E tomou. Numa noite, após o jantar, dirigiu-se ao irmão mais velho e fez uma solicitação para ele:
- Joaquim, me ensina a mexer neste tal de Google?

E foi assim que Januário começou a sair da terrível prisão do intervalo de tempo que o estado de coma lhe impusera.

ISAÍAS GRESMÉS, 1/05/2012

  


domingo, 15 de abril de 2012

NUM OLHA, PORQUE É SACI!




Foi durante uma caçada que um fato inusitado chamou a atenção dos dois compadres. Estavam passando numa capoeira, quando um redemoinho surgiu do nada levantando poeira e as folhas secas em volta. Compadre Gildo, na ânsia de comprovar um causo que a sua mãe lhe dizia sempre na infância, virou para o compadre Justino e disse:
- Cumpadi Justo, minha mãe me ensinou que quando um rodemoin aparece ansim do nada, que isso é coisa do saci! E se a gente oiá por debaixo das perna, a gente vê o lazarento – eu vou oiá!
- Nossinhora cumpadi Girdo! Num faiz uma miséria dessa não home di Deus! Prestenção num causo que aconteceu comigo há muito tempo.
Compadre Justino, ainda meio assombrado com a visão do redemoinho, respira bem fundo e começa a falar o ocorrido:
- Foi ansim cumpadi Girdo: certo dia eu tava seguino um Carrero de tatu numa capoeira iguar a essa... me acompanhava somente o meu cão Três Zói... De repente, do nada, surge um redemoinho... Três Zói some e me deixa sozinho.
- E o cumpadi num ficô cum medo não?
- Que nada cumpadi Girdo! Da mesma forma que o sinhô, eu também havia escutado a minha mãe falá que se o caboclo oiasse por debaixo das pernas, ia dá de cara com o saci. Eu tava era querendo matá a minha curiosidade sô!
- E o sinhô oiou?
- Uai, mas é claro cumpadi!
- E o que aconteceu adispois sô?
- Prestenção (com os olhos esbugalhados mirando para o infinito, compadre Justino continua a narrativa): ansim que o redemoinho se aprochegou de mim, eu me virei de costas pra ele e, em seguida, oiei o troço por debaixo das perna.
- E ai cumpadi, fala logo o que aconteceu?!
- Carma cumpadi, que eu já chego lá sô! – Num deu nem tempo deu vê nada, pruque recebi um baita dum pontapé no traseiro!
- E quem te chutou cumpadi Justo?
- E num foi o lazarento do saci?
- E foi é?
- Pois é cumpadi. Ansim que eu recebi aquele pontapé me virei rápido pra vê quem tinha feito aquela desfeita comigo e foi ai que eu me deparei com o danadim!
- E ai cumpadi, fala logo!
- Ai eu pensei cá com os meus juízo: “vou descontar essa desfeita, isso num vai ficá ansim, ah, num vai não!”
- E o que o sinhô feiz?
- Comecei a prosear cum o mardito!
Compadre Gildo já não agüentava de tanta ansiedade. Querendo saber como aquele causo iria terminar ele perguntou ao Justino:
- E qual foi o rumo da prosa?
- Eu, pra mor di ganhar tempo, arresorvi preguntá pra ele o porquê dele ter me chutado a bunda. Ele me arrespondeu que era para mor di eu deixá di ser inxirido!
- Vai veno... Mas cumpadi, questionou compadre Gildo, pruquê o sinhô queria ganhar tempo com o neguim perneta?
- Ara cumpadi, era pra mor di dá uma lição nele uai!
- E qual era o plano do sinhô?
- Era o seguinte: minha mãe havia me ensinado que o saci, antes de sair para fazer travessuras, abastece o seu cachimbo o suficiente para realizar suas malinações, pruque adispois que o fumo acaba, também acaba o seu poder, entendeu?
- Hummm! – Sei... mas e daí, o que o sinhô feiz?
- Eu fiquei esticando o papo ali. Pedi discurpa pra ele pelo meu inxirimento; falei que a caça tava dificir... até que eu apercebi que o fumo do danado tinha acabado.
 - E ai, o que aconteceu?
- Vai veno cumpadi – ele que num é bobo nem nada, já tava se preparano pra ir pro além; ai eu coloquei meu plano pra funcioná.
- E o que o cumpadi tramou contra o mardito?
- Ele falou que ia imbora pruquê havia acabado o seu fumo. Ai eu ofereci o meu fumo que eu trazia na argibera já cortadim, pronto pra pitá.
- E ele aceitô sua oferta?
- Mas não! Craro! O mardito adora tirá vantage em tudo, parece inté político!
- Continua, continua cumpadi Justo!
- Ai eu nem deixei o mardito pensá muito. Peguei o cachimbo dele e, nesse momento, passava uma comitiva lá na baixada. Eu dei um grito bem forte: “Diga ai coroné Gresmelino!” – e lá de longe, o coroné acenô com o braço pra mim.
- E o coroné viu o saci que tava do seu lado cumpadi?
- Craro que não! O danado só se mostra pra quem ele qué uai! – Mas continuano: - ai eu aproveitei que o danado se distraiu com a comitiva, intonce eu peguei rapidamente um pouquim de porva e atuchei no fundo do cachimbo do lazarento! E enchi o restante com meu fumo.
- Sério cumpadi?!
- Sério uai!
- E adispois, o que aconteceu?
- Ai o mardito encostou o dedo no fumo e acendeu o pito. Deu uma baforadas e me agradeceu pelo fumo. Inté me elogiou pela qualidade do tabaco, credita?
- Credito, cumpadi, mas e ai?
- Ai que adispois de um minuto, foi cachimbo e saci para os ares!
- Ele sumiu cumpadi Justo?
- Sumiu cumpadi Girdo, escafedeu-se! – E eu continuei minha caçada. Naquele dia eu ainda consegui caçá um peba de uns sete quilos!
- Mas é cumpadi?!
- E num foi!
- É por isso que eu falo cumpadi, num olha pra redemoinho não viu... Ih,olha lá, vem um ali ó!
 - Vamo cumadi Justo!
- Vamo cumpadi Girdo!

Pois é, essa é apenas uma das muitas lendas que ouvi na infância. Eu nunca tive coragem de tirar a prova dos nove. E você, caro leitor(a), já teve?

ISAÍAS GRESMÉS, 15/04/2012



sexta-feira, 13 de abril de 2012

ELE EMITIA LUZES E NÃO ERA VAGALUME




O sol já estava se pondo quando me despertei. Numa rápida olhada procurei por minha mãe e as minhas irmãs, mas elas não estavam ali. Através de uma das frestas na tábua da parede pude ver minha avó, mãe do meu pai, no tanque, lavando roupas. Mas algumas luzes estranhas desviam minha atenção para o fundo do pequeno quarto. Tomei um susto, mas não gritei. Fiquei a fitar “aquilo”. Confesso que jamais havia visto algo daquele jeito na minha curta existência (eu tinha apenas seis anos!).
A criatura, seja lá o que fosse, emitia luzes pelo corpo todo, nas cores: verde, amarela, vermelha e azul. Hoje eu diria que se assemelhava a um robô.
Eu fiquei em pé na cama, e o “não sei quê”, veio na minha direção sem fazer um só ruído. As luzes pulsavam como a imitar um coração – um silencioso coração. À medida que ele se aproximava de mim, eu me afastava dele andando de costas na direção oposta. Eu estava muito amedrontado, mas sentia no meu íntimo ainda verde de criança, uma certeza de que aquela criaturinha não estava ali para me fazer mal. Apesar dessa confiança que crescia dentro de mim, senti-me mais aliviado quando o “abajur ambulante” retornou para o seu ponto de partida no fundo do quarto. Mais rápido que minhas próprias pernas, avancei na direção da porta, abri a tramela e fui de encontro com a minha avó.
“Sua mãe te deixou sozinho?” Respondi que sim. Ela pegou na minha mão e me levou com ela. Eu olhei para o pequeno barraco onde morava com a minha família e pude comprovar que aquele ser ainda estava lá, pois suas luzes se propagavam pelas frestas do casebre.
Mais ou menos uma hora depois chegam minha mãe e minhas irmãs. Elas estavam no poço comunitário lavando nossas roupas. Fui ao encontro da minha mãe que trazia uma lata d’água na cabeça, majestosamente equilibrada numa rudia de pano; e em cada uma das mãos, um balde cheio de roupas lavadas. Fiquei super feliz porque a mulher mais forte do mundo estava ali para me proteger daquele sujeitinho esquisito. Após rápida conversa minha mãe se despediu da minha avó e finalmente nos dirigimos à nossa humilde casa.
Minha heroína abril a tranca improvisada que mantinha a porta fechada por fora e, para minha surpresa, a criatura não mais estava lá!

Hoje, passados mais de trinta e três anos, ainda tento entender o que era, o que estaria fazendo ali e por que me visitou aquele ser provido de luz própria.
 No decorrer de todos esses anos ouvi inúmeras explicações para o fato, algumas interessantes; mas a maioria somente chacotas. Esse episódio marcou a minha vida e, de certa maneira, influenciou-me até nos meus escritos. Procuro sempre ser racional sem me prender em misticismos ou coisas semelhantes. Sendo assim, racionalmente, espero a visita do serzinho iluminado novamente, e agora com uma mentalidade de adulto. Pretendo travar diálogos intermináveis com ele, sem ser abusivo, é claro! Vou tratá-lo da melhor forma possível, pois acho que ele vem de longe. E quem se presta a tão longa viagem, por certo, merece todo meu apreço. Quem sabe, não é mesmo? 


ISAÍAS GRESMÉS, 13/04/2012

sábado, 7 de abril de 2012

JESUS, A LUZ DO MUNDO.



Foi no ventre de Maria
Que o Pai veio deixar,
Aquele que, então seria,
O amor a nos guiar.

Nasceu numa manjedoura,
Cercado por animais,
Sob as mãos protetoras
De José, o seu bom pai.

Guiados por uma "estrela"
De brilho encantador,
Os reis magos, ao vê-la,
Acharam nosso senhor.

Foram lá testemunhar
O nascimento do Divino:
Belchior, Baltazar e Gaspar.
Presentearam o menino.

Escapou, mas por um triz
De Herodes, o mandatário;
Sujeito vil, infeliz,
Um completo sanguinário!

Ao saber das profecias
Que anunciavam no momento,
Sobre a vinda do Messias,
Gritou para os quatro ventos:

“Matem todos os meninos,
Sem dó e sem clemência!”
E logo seus assassinos
Cumpriram a má sentença...

José fugiu com Maria
Para a cidade de Belém:
Aonde, então, nasceria
O sinônimo do Bem!

Cresceu fazendo a bondade,
Semeando ensinamento.
E falava, com propriedade,
Sobre o Deus do firmamento...

Curou olhos da cegueira;
Fez o aleijado andar;
Levou a paz verdadeira
Apenas com o olhar!

Multiplicou o peixe e o pão
Para quem sentia fome,
Somente com a oração
A Deus, o santo nome!

Devolveu o morto à vida,
Com o intuito de ensinar
Que até esta ferida
O amor pode curar!

Ensinou que o amor
É o caminho a trilhar,
Pois, com Ele não há dor
Que possa se propagar.

Mostrou que a bondade
Precisa ser praticada.
Porque ela é caridade,
Uma coisa abençoada.

Praticou a caridade
Cada dia do seu dia.
E enfatizou, em verdade,
Que viver assim valia.

Ensinou que a salvação,
Na caridade, estaria.
E alertou que esta lição,
Por certo, nos salvaria.

Mas o mal se fez presente
Na vida do Salvador:
E com traição demente
Prenderam nosso Senhor!

Trinta nicas de dinheiro
Foi o que Judas recebeu,
Para trair o Verdadeiro,
O bondoso Galileu!

À morte foi condenado,
Mas bem antes já sabia,
Que seria denunciado
Por aquele que O beijaria...

Judas foi o infeliz
Que entregou nosso Senhor.
Pois sua fé, sem raiz,
Não viu Nele o amor!

Foi numa sexta-feira
Que ele foi crucificado,
Lá no monte da caveira,
Por um grupo de soldados...

Barganharam a sua vida
À soltura de um ladrão.
Uma troca mal escolhida
Que ficou como lição!

Dos dois lados de Jesus
Foram postos dois ladrões;
Cada um na sua cruz
Sofriam suas punições.

Um deles se arrependeu
E disse, com alta voz:
“Tu és o filho de Deus
For favor, olhai por nós!”

“Meu amigo, acreditai
No que vos digo de coração:
Hoje vos vereis meu Pai
E a mim seu vosso irmão!”

Sentindo a vida esvair,
Jesus, enfim reclamou:
Alguns puderam ouvir
(Por que Deus o abandonou?).

Mas antes de morrer,
Fez do verbo perdoar,
Na sua escala percorrer
Seu mais alto patamar!

Seu corpo foi sepultado
Com singelo funeral.
Mas com três dias passados,
Vence a morte triunfal!

Jesus sempre viverá
Em quem o tem por devoção.
E para sempre reinará
Na vida do bom cristão.

Jesus Cristo é a estrada
Que conduz à salvação.
Percorremo-La, de mãos dadas
Pois todos somos irmãos!

ISAÍAS GRESMÉS, 07/04/2012