segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

AQUI VAI O MEU PROTESTO

Lá vem a chuva de verão 
Soltando o seu berro
 De destruição

 Aqui grita o povo
 Na desolação
 Chorando as perdas na devastação

 Lá vêm as desculpas do governo vil

 De algum pedaço do nosso Brasil 

 ISAÍAS GRESMÉS, 9/01/2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

CRACOLÂNDIA


CRACOLÂNDIA

Mas uma vez volto ao tema “Cracolândia”. É um assunto deprimente, mas precisa ser abordado por todos na sociedade. Neste início de 2012, essa maldita “terra do crack” voltou a ser notícia porque o poder público municipal, resolveu fazer uma faxina no mal visto lugar. E o que se viu foi aquela triste cena de maltrapilhos arrastando-se sem direção; verdadeiros mortos-vivos formando um quadro de expressão horripilante.
A polícia fez o cerco, avançou por sobre o terreno, expulsou os ocupantes dos estabelecimentos abandonados e prendeu os poucos que ofereceram resistência. A representante da polícia afirmou que o objetivo primeiro era esse mesmo: ocupar o espaço, expulsar os viciados e prender os traficantes e que caberia ao poder público entrar com ações sociais.
Após a ocupação, a prefeitura iniciou a limpeza do local. Havia por ali uma quantidade de lixo enorme, sem contar o mau cheiro causado pelas fezes e pela urina dos ocupantes que foram retirados do local.
Uma questão ganhou destaque em meio a tudo isso, a tal da “internação compulsória”, que é uma internação à força, determinada pela justiça, sem o consentimento do dependente da droga. Alguns especialistas se posicionaram a favor, sob o argumento de que o viciado, devido à sua condição de total dependência, não possui a mínima condição de se decidir por sua causa própria, restando, segundo esses especialistas, à justiça a imposição do tratamento forçado. Outros entendidos no assunto acreditam que este não seja o caminho, pois defendem que o tratamento só é eficaz quanto o dependente químico deseja ser tratado.
Após ouvir os dois lados, e mais, depois de presenciar de perto a “vida” dessas pessoas, fico com a opinião daqueles que defendem a internação compulsória, pois acredito que aquelas pessoas, em sua quase totalidade, não conseguirão jamais livrarem-se das malfadadas fumaças dos cachimbos improvisados. O vapor maldito escraviza o cérebro, e é ele quem deveria possuir o discernimento exato para concluir que o crack, o senhor do fumacê, é algo a ser evitado a qualquer custo.
O argumento do livre arbítrio é muito bonito, politicamente correto e por isso deveria servir para resolver a esta situação, mas ele não é eficaz no caso dos viciados em crack. Essa droga vicia já na primeira baforada; o usuário passa então a ser mais um escravo que caminha para a morte, mas antes de morrer vai vender tudo que tem, vai destruir os laços de família, e se juntar a outros infelizes em igual situação.
Já existe várias “Cracolândias”, sendo que a mais famosa localiza-se nas imediações da estação da Luz, na cidade de São Paulo.
O que fazer para resolver esta triste situação? Será que basta apenas levar a polícia ao local e expulsar os usuários como fez o prefeito de São Paulo? Será que o problema maior é o lixo que essas pessoas deixaram naquele fétido local? Penso eu que não. Defendo a internação compulsória para tratar os viciados o tempo que for preciso; e também que se prendam os traficantes, punindo-os nos rigores da lei; que se limpe o local, promovendo uma revitalização e que o mesmo seja devolvido aos cidadãos de bem desta cidade.
 Para que tudo isso aconteça seria necessário muito mais que dinheiro por parte do poder público; é preciso antes de tudo, boa vontade para resolver a situação em definitivo.
O que vimos ontem foi muito mais uma faxina, no sentido real do termo, do que uma solução para o problema. O prefeito desta cidade apenas varreu os usuários para outras partes da região, ou seja, atacou o efeito e não a causa. Espero que seu sucessor tenha a coragem para resolver de forma definitiva este terrível problema, ou nós, munícipes, estaremos fadados a assistir àquelas tristes cenas dos usuários em meio ao lixo nas ruas abandonadas pelo poder público desta cidade.

ISAÍAS GRESMES, 04/01/2012     

sábado, 17 de dezembro de 2011

O NATAL DE MARIA


O NATAL DE MARIA

Para a maioria das pessoas que transitavam freneticamente por aquela rua de comércio era a contagem regressiva para o começo da ceia de natal. Para Maria apenas mais um dia a ser vencido duramente. Seus olhos esquadrinhavam cada centímetro do chão em busca de algo para comer ou para vender como sucata. Seu corpo esquelético, encoberto por trapos, não era percebido por ninguém.

Narrador

Num vai-e-vem frenético
De pessoas apressadas
No meio está Maria
Com suas roupas rasgadas
A sua mente só pensa
Em ter a fome sanada

Esquadrinhando o chão
Com sua vista sofrida
Na esperança de achar
Algum resto de comida
Mesmo não achando logo
Ela não se dá por vencida

Maria olha adiante
Alguém comendo um pastel
E sente a barriga roncar
E triste olha pro céu
“Meu Deus, por que é que eu vivo
De forma assim tão cruel?”

Ali, do outro lado da rua alguém a observa atentamente. Maria de repente percebe e se assusta, pois ela já não se lembrava da vez que alguém dirigia um olhar daquele em sua direção. Fez menção de fugir, mas conteve-se diante do sorriso da enigmática figura. Sentiu uma estranha sensação que não conseguia traduzir.

O estranho se aproxima, olha nos olhos dela e nada diz. Maria já não sentia medo e estendeu sua mão em direção dele no momento em que ele lhe solicitou.

Narrador

Com as mãos dadas ao estranho
Maria avança sorridente
Na direção em que o sol
Faz bocejos no poente
Já não se sentia só
Voltou a sentir-se gente

Nesse exato momento João trafegava por ali, estressado pois aquela seria a sua última entrega na véspera de natal. Já não via a hora de chegar em casa para finalmente participar da grande ceia familiar.
 João

 “ Ai meu Deus, esse transito que não anda!
 – Mas o que é isso! – meu Deus, sai da frente! Nãoooooooooooooooo!”

Narrador 

Maria morreu na hora
Com a batida do caminhão
Apesar de todos os esforços
Que se mostraram em vãos
Da equipe do SAMU
Que ali fazia plantão

“Morreu na contramão atrapalhando o trânsito.”

Narrador

Do alto, Maria observava seu corpo estendido na rua e nada entendia. Sentiu a pressão da mão do estranho que, sorridente, a puxava na direção do sol poente. E juntos com o sol, ambos sumiram no horizonte.


ISAÍAS GRESMÉS 17/12/2011






terça-feira, 22 de novembro de 2011

O último toque

Nos seus olhos abertos
Me vi chorando
Já sem o brilho que a vida oferece de graça

Nos seus lábios senti uma dor
Já passada
Porque de teu choro não se ouvia mais nada

Nos seus dedos cruzados
Vi um zelo derradeiro
Doado derradeiramente à pessoa amada

No último toque que lhe dei
Um gelo que jamais esquecerei
Um frio que deixou minha vida enlutada


Isaías Gresmés 22/11/2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Obra Universal

Obra Universal

A Deus, o grande engenheiro
E executor da obra prima
Ofereço uma homenagem
Na singeleza de uma rima

Todo o Universo, Todo
No todo foi Ele quem fez
Ninguém sabe se em milênios
Ou se tudo de uma vez

Só sei que aos poucos desvendamos
Os mistérios das Suas ações
Como os “n” Universos
Contidos em várias dimensões

Como fina sinfonia
Que soa em cordas celestiais
O submundo subatômico
Baila em notas eternais

E o tempo, relativo
Concorda com a dualidade
Ora onda, ora partícula
Sem ver nisso insanidade

A Deus, o Pai, o autor
Da perfeita criação
Dedico mais uma rima
Nascida em meu coração

Eu, um punhado de átomos
Penso Nele todo dia
E, preso nesta dimensão
Faço a minha poesia

E aguardo chegar o dia
De, para outra, então seguir
E desvendar outros mistérios
Que meu Pai me permitir

O Multiverso é o Todo
Obra de nossa Majestade
“Que ouçam quem tem ouvidos,
Pois vos digo em verdade”

Isaías Gresmés 25/05/2011

domingo, 20 de março de 2011

SENTADO NO TRONO...

SENTADO NO TRONO...

Sentado no trono, após um segundo
Tempo que, aliás, é muito, já basta
Começo a sentir o cheiro oriundo
Da merda que sai em forma de pasta

Eu olho o monte que boia no fundo
Em torno do vaso de aparência gasta
E sinto por dentro um alívio profundo
Por ter defecado uma merda tão vasta

O odor fedorento da bosta cagada
É só o resquício de uma rabada
Que eu devorei na noite anterior

E, agora, depois de ter sido alimento
E de dar sua parcela para o meu sustento
Reduziu-se a dejeto de forte fedor

Isaías Gresmés, 20/03/2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

JAPÃO

JAPÃO

No Japão a terra treme de novo
Desestabiliza o mar
Mas não derruba o seu povo

No Japão falta espaço à população
Mas não falta aos japoneses
A gana por inovação

No Japão a terra treme de novo

Cambaleia a terra, mas não derruba seu povo

ISAÍAS GRESMÉS, 14/03/2011