quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Guerra & Paz

GUERRA & PAZ

Peço a Deus neste momento
Um pouco de inspiração
Para falar de guerra e paz
Com toda convicção
E que o discernimento
Centralize minha ação

A paz esta na essência
De quem espalha a bondade
De quem planta a alegria
E semeia felicidade
Está no benevolente
E em quem só diz a verdade

A guerra está na indecência
De quem espalha a maldade
Está no homem ruim
Que semeia iniqüidade
E na língua peçonhenta
De quem só diz falsidade

A paz é canteiro florido
É passarinho em revoada
É uma arvore frutífera
É uma tarde azulada
É uma linda melodia
De uma orquestra afinada

A guerra é campo minado
É míssil cruzando o céu
É do vinagre, o azedume
É da bile o amargo fel
É parte podre do homem
Em sua face mais cruel

A paz é fruto divino
Que na Terra Deus plantou
E cabe a cada um
Cuidar do que Ele deixou
Bastando só para isso
Amar como Ele amou

A guerra é a bestialidade
De líderes imbecis
Verdadeiros idiotas
Que expõem os seus civis
E que pensam somente neles
Pois são criaturas vis


A paz, pelo contrário
É uma fina sintonia
Que penetra os corações
E a todos contagia
É irmã do bom sorriso
Que prenuncia a alegria

A guerra é pântano horrendo
Com sua areia movediça
Onde homens gananciosos
Afogam-se na cobiça
De territórios alheios
Como vermes na carniça

A paz é conquistada
Com a magia da bondade
Que assim, magicamente
Espalha a felicidade
Tornando o nosso mundo
Um doce lar de verdade

É isso queridos irmãos
Viver em paz ou em guerra
É uma decisão só nossa
Façamos de nossa Terra
Um ambiente de amor
Jamais uma vil quimera

Tenhamos Deus como guia
E nos corações - amor
Cultivemos então a paz
Princípio rico em valor
Assim viveremos melhor
Sem jamais sentirmos dor

Isaías Gresmés 07/01/2009

Voltarei...

Voltarei...


Parto agora a contragosto,
Dentro, sinto só desgosto
Pelo amor que eu deixei.
Mas se Deus me permitir,
Certamente voltarei
Para os braços do meu amor.

Votarei...
Pois não há no mundo guerra
Capaz de aniquilar
Um amor no coração.

Partirei...
Vou me embora dessa terra,
Mais em breve vou voltar
Para viver minha paixão.

Sonharei...
Vou sonhar durante a guerra,
Com a minha linda amada,
Me esperando no portão.

Pedirei...
Vou pedir ao meu senhor,
Que me dê a permissão,
De voltar vivo da guerra
Para os braços da minha amada,
Que me espera perfumada,
No nosso humilde portão.

Isaías Gresmés 7/01/2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

EU E A POESIA

EU E A POESIA

Vou contar para vocês,
O meu amor à poesia.
Quando ainda era menino,
Senti que escrever seria,
O que se transformaria
Em luz sob meu destino.

Eu comecei a escrever
Trovas simples de amor,
Pois gostava de rimar.
E rimava amor com dor
Em versos brancos, sem cor,
Sem medo de improvisar.

Com a poesia percebi
Que podia até sonhar
Com dias melhores no mundo...
Então flutuava no ar,
Navegava por sobre o mar
Em apenas um segundo.

Fui crescendo assim com ela,
Tal qual uma plantinha
Na fertilidade do solo.
E eu – erva – pequenininha,
Senti-me protegidinha
Na acolhida do seu colo.

Esse amor fertilizado
Foi crescendo como pão
Em dia de clima quente.
Eu sentia a sua ação
Palpitar meu coração
Assim... tão grandemente.

A poesia passou a ser
Na minha vida a estrada,
Um rumo, uma grande via...
E eu, nessa caminhada,
Seguia a sua pegada
Em qualquer parte que eu ia.

A poesia é minha musa,
Meu dengo, meu bem-querer,
Todo tempo - cada segundo...
Com ela quero viver,
Até quando Deus pretender
Me levar desse meu mundo.

A poesia é o alimento
Que sustenta o meu ser
E que me deixa contente.
Enquanto a vida eu viver,
Em versos vou escrever
Minha vida docemente.

A poesia é meu chão
Onde ergui o meu sobrado
De forma definitiva.
E desse solo abençoado,
Eu tenho ganho um bocado,
Sem ter nada que me priva.

Quando a minha hora for,
Partirei do lado dela,
Sem medo e sem tristeza;
Pois, foi com essa arte bela,
Que me pintei em aquarela,
Em versos só de belezas...

Vou seguir nessa jornada,
Com muita fé e paixão,
Até onde for preciso.
E seguirei em comunhão,
Em paz com meu coração,
Em busca do paraíso.

Em meu túmulo quero ler
Em letras bem garrafais:
“Aqui jaz o Isaías,
Que em versos e muito mais,
Cunhou os seus ideais,
Em centenas de poesias.”


Isaías Gresmés 04/01/2009 – para Claudinha

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Eu quero um amor assim

Eu quero um amor assim

Eu quero um amor
Parecido com um sorriso de criança
Que seja capaz
De me trazer a paz
E renovar minha esperança

Eu quero um amor
Parecido com uma flor
Que seja capaz de me perfumar
E também de me pintar
Com a beleza da sua cor

Eu quero um amor
Parecido com o amor de Maria
Que entendeu que seu filho
Apesar do sofrido martírio
Mesmo assim, salvar-nos-ia

Eu espero um amor assim
Que seja intenso do início até o fim

Isaías Gresmés 2/01/2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O mistério das muletas abandonadas do Tietê

O mistério das muletas abandonadas do Terminal Tietê



Apenas mais um dia de trabalho como outro qualquer para aquele funcionário responsável pela seção de achados e perdidos no Terminal Tietê. “Mais um par de muletas... Eu não consigo entender como alguém pode esquecer um par de muletas!” Naquela entulhada sala, entre os milhares de objetos deixados, havia um espaço dedicado somente para as muletas. Era um mistério que ninguém conseguia desvendar.
Mas voltemos àquele par de muletas do início para se saber quem havia deixado ele lá no terminal.
Severino, com muito custo, conseguira chegar à plataforma de embarque com uma hora de antecedência. Não sem antes passar pelo transtorno no corredor norte-sul – uma rotina insalubre para quem mora na maior cidade do país. “Obrigado Roberval, não se preocupe comigo que daqui em diante eu me viro sozinho”. Agradeceu ao amigo e ficou aguardando pacientemente o horário de embarque. Sentou-se numa cadeira e alguns minutos depois estava dormindo. Não percebeu quando aquele homem se aproximou. O estranho então puxa conversa: “Que agitação hein!” “Aqui é sempre assim no final de ano, todo mundo viajando para ver a família...”
O estranho disse a Severino que ali estava em uma missão especial. “Na verdade eu estou aqui para lhe dar um presente... “Como assim?” – interrompeu-o Severino. “Você não vai mais precisar dessas muletas ai... “Como assim?” – berrou Severino, agora incrédulo. O estranho apenas olhou nos olhos arregalados de Severino e abriu um sorriso. “Não fica assustado não meu filho, há coisas nessa vida que não tem explicação, que simplesmente acontecem; alguns chamam isso de milagre, de obra divina, e tantas outras designações, mas o que lhe ofereço é algo que lhe é de direito; é de seu merecimento. Eu estou muito feliz por ter sido o escolhido para lhe trazer este presente. Você é uma pessoa especial e já aprendeu o que tinha que aprender com a sua condição, agora enfrentará uma nova etapa que, desde já eu lhe alerto, vai ser mais difícil.”
Severino não se conteve e começou a chorar. Sentiu um sei quê de bondade nos olhos de anjo daquele homem.


Severino desperta de repente e leva um susto quando olha para o relógio. “Meu Deus, faltam apenas dez minutos para o embarque!” Levantou-se rapidamente e esbarrou-se naquele par de muletas. “Mas que estranho! Quem será que deixou isso aqui?” – pensou. “Bom, vou entregar para algum guarda”, concluiu.
E assim terminava mais uma missão para aquele estranho que contribuía para tornar o espaço da seção de achados e perdidos, destinado para as muletas, cada vez mais entulhado.
Dona Severina – mãe de Severino, ao ver o filho chegar, ajoelhou-se no chão e pôs-se a chorar. “Valei-me minha nossa senhora! Milagre!” Desmaiou.



Fim – Isaías Gresmés 31/12/2008

domingo, 28 de dezembro de 2008

O SAFADO

O Safado



Ele chegou de mansinho sem se anunciar,
Destrancando a porta sem barulho causar,
Na esperança que eu estivesse dormindo.
Mas pra sua surpresa eu estava sorrindo,
Com o controle do vídeo na palma da mão,
Já pronta pra pôr o meu plano em ação.
Ele sem entender já quis se desculpar:
“Fiquei até mais tarde pro trabalho acabar...”
Mas eu o interrompi e disse “Psiu! –
Preste bem atenção, o seu imbecil:”
Dei inicio então à exibição
De um filmeco sacana na televisão.
O safado entendeu e ficou com pavor,
Quando viu que era ele o traste do ator,
Que protagonizava aquela imundície,
Digna de um verme, safado e patife.
No filme ele urrava feito um leitão
Na hora da morte pela aflição.
Mas não era de dor que o biltre gemia,
Era por um negão que ele o fazia,
Pois estava de quatro, fungando no chão
E por cima, engatado, estava o negão...
“Mas como que foi que você filmou isso?”
“Não interessa pilantra, verme sem juízo!
Você some daqui e nunca vai voltar!
Pois amanhã o doutor vai te procurar,
Você vai assinar nossa separação,
Depois disso poderá viver com seu negão!”
Fiquei muito triste por assim ser traída
Mas não dei por fim ali a minha vida:
Mais tarde conheci um homem de verdade,
Que me trouxe amor, paz e felicidade.
Hoje tenho dois filhos e um macho na cama
Que todo dia me faz sentir uma dama.

Isaías Gresmés 28/12/2008

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Stradivarius

O STRADIVARIUS


-Com licença Rafaela, desculpe-me por interrompê-la em seus estudos meu anjo, mas a sua mãe te chama para o jantar.
-Tudo bem Alberta, diga a ela que já desço.

Rafaela, linda moça
Estudava as lições,
De Vivaldi, grande mestre,
As suas Quatro Estações.

Só faltava mais um dia
Para a apresentação,
Da sua orquestra de câmara,
Em Campos do Jordão.

Ansiosa, não estava conseguindo nem dormir direito. “Ai meu Deus, olhai por mim e por meus companheiros para que tudo saia perfeito...” Rafaela não se cansava de pedir ao alto. E isso era consequência, principalmente do seu perfeccionismo.

A linda adolescente
Desceu para o jantar.
E assim que terminou
Voltou para ensaiar.

Ela era a única filha da Sra. Elga e do Sr. Rudolph – ambos alemães – que já estavam morando no Brasil havia vinte e três anos. Rudolph trabalhava em uma montadora de carros alemã como engenheiro mecânico e Elga era professora de música do Conservatório de São Paulo, tendo sido a responsável pelo gosto musical refinado da filha.
Apesar da sua posição social, no entanto, Rafaela sempre se mostrou muito dócil com os empregados humildes da residência e estes a adoravam. Alberta, a governanta, a tinha como uma filha.
Os pais de Rafaela não gostavam muito dessa aproximação da filha com os empregados: “Não se misture com esta gente minha filha...” – ela sempre ouvia por parte deles, recomendações dessa natureza.

Narrador

No mundo material
Os homens não são iguais:
A maioria ganha pouco
E muito poucos ganham mais...

A linda moça pega o lindo violino que ganhara da mãe em seu aniversário de quinze anos. Ainda lembra-se das recomendações da mãe: “Esse violino tem quase 300 anos minha filha! Ganhei-o do seu avô quando tinha mais ou menos a sua idade... Ele me disse que o achou em uma casa destruída pela segunda guerra na Polônia... Só não me disse mais detalhes... Recentemente solicitei uma análise de um perito de renome internacional e ele me afirmou que se trata de um Stradivarius legítimo e que vale uma fortuna... Cuide bem dele querida.”
Com essa doce recordação ela recomeça o ensaio. Executa os primeiros acordes de “A Primavera”. Seu pensamento viaja com as notas sublimes da bela canção... Seus dedos delicados percorrem as as cordas do raro instrumento extraindo delas as mais divinas combinações de notas, dignas de estarem na obra do padre gênio.
Duas horas depois, já exausta, decide parar. Acondicionou o instrumento em uma bela caixa de madeira, dirigiu-se ao banheiro... banhou-se... entrou dentro de uma linda lingerie de seda e se deixou deitar-se suavemente em acolhedora cama...

Desperta harmoniosamente no outro dia, com um lindo canto de pássaro.


Narrador

Rafaela é acordada
Com o som do Bem-te-vi
Que todas as manhãs
Ia cantar por ali

A bela moça adorava
A suave melodia
De arranjo bem simplório
Que aquela ave fazia



Seis horas da manhã. Mais ansiosa que de costume, Rafaela toma seu café rapidamente, despede-se de Alberta com um abraço e um beijo. “Vai com Deus meu anjo”. Na frente da arborizada residência, Roberto, o motorista, esperava-a no automóvel.
A viajem transcorria normalmente. Rafaela ensaiava na mente os detalhes da apresentação que seria a céu aberto. De repente Rafaela percebe que o automóvel para no acostamento da rodovia.
“O que está acontecendo Roberto” – pergunta ela. “Eu já vou te explicar”, adianta ele. Nesse momento encosta um veículo e logo em seguida saem duas pessoas de dentro dele: um homem e uma mulher.

Rafaela

Roberto, o que está acontecendo?
Quem são estas pessoas?
Eu não estou entendendo...

Narrador

E Roberto relatou para Rafaela tudo o que estava acontecendo. Explicou que fazia parte de uma organização internacional que visava recuperar o patrimônio roubado dos judeus pelos nazistas durante a segunda guerra mundial. A bela moça ficou muito chocada quando ele lhe relatou que seu avô, Fritz Nensk, fora um membro importante do terceiro Reich, e participara de experiências desumanas com seres humanos, pois era médico. Foi amigo íntimo de outra figura tétrica, o médico Joseph Mengele. Atuou, principalmente, nos campos de concentração da Polônia e em meados de 1943 fora mandado para uma missão no norte da África. Viajou com a mulher e a filha Elga, de apenas dois anos.
Com a derrota da Alemanha nazista, ficou morando durante cinco anos, utilizando outra identidade, como médico, em Argel – capital da Argélia.
Em 1948, após receber uma correspondência do seu amigo Joseph, decide vir para o Brasil, onde fixa residência em um sítio no município de Embu. Foi nessa cidade que, quinze anos mais tarde, Elga se casa com Rudolph, filho mais velho de outro imigrante alemão.


Roberto

Parte do patrimônio que seu avô deixou
Foi fruto de várias famílias que ele surrupiou

Rafaela, aos prantos, custava a acreditar que tudo aquilo era verdade, mas ficou convencida depois que Emanuelle, a mulher que estava no carro com o outro homem, explicou-lhe com mais detalhes como aquela ONG atuava no mundo.

Emanuelle

Nós tínhamos como objetivo principal
Levar o seu avô à corte internacional
Isso só não aconteceu
Porque antes ele morreu

Narrador

E assim foi feito. O raro Stradivarius seguiu com aquelas pessoas rumo aos herdeiros de direito na Polônia. Rafaela recebeu outro violino de Roberto e ambos seguiram rumo à Campos do Jordão.
Era uma manhã ensolarada, mas fazia frio, pois iniciava o inverno.
Rafaela entendeu que era melhor não envolver a polícia neste caso, pois sua família correria o risco de ser envolvida em um grande escândalo internacional.
A apresentação foi maravilhosa. O Festival de Inverno em Campos do Jordão estava se tornando, a cada ano, mais belo. Rafaela, apesar de tudo, sentiu-se muito feliz.
Após as devidas explicações, Roberto se despede da família. Tanto o Sr. Rudolph quanto a Sra. Elga ficaram convencidos que o melhor era se conformar coma perda do raro violino.

Uma semana depois é veiculado no mundo inteiro mais um feito daquela organização. Os jornais estamparam a foto dos verdadeiros donos do Stradivarius.


FIM

Isaías Gresmés 24/12/2008