sexta-feira, 14 de novembro de 2008

VAIDADE

VAIDADE


Peço a Deus nesse momento
Um pouco de inspiração,
Para que eu possa escrever,
Aquilo que eu entender,
Estar perfeito na razão.

É um assunto complicado,
Vou falar da vaidade:
Pois pra quem é vaidoso,
Cultivá-la é prazeiroso
E não vê nisso uma maldade.

O sujeito vaidoso,
Cuida da imagem com zelo,
Se penteia e passa gel
E para ele é um troféu,
Quando elogiam seu cabelo.

Para ele é muito pouco
Um vidrinho de perfume,
O seu corpo perfumado,
Não disfarça o enjoado,
Bafo fétido de estrume,

Que emana da sua mente
Poluída com ignorância;
Vazia no essencial,
Repleta com o banal,
Desde a sua tenra infância.

Bem, esse é apenas um
Dos vários tipos de vaidoso.
Pois muitos não se acham,
Outros até disfarçam
Esse defeito horroroso.

Existe por exemplo, o poeta vaidoso,
Que - às vezes - escreve asneira.
Mas que, mesmo assim,
Espera que quem leu - no fim-
Elogie sua besteira.

E se isso não acontece,
Fica mal consigo mesmo.
Ele atira chateação,
Por causa dessa questão,
Pra todo lado: a esmo.


Começa a se lamentar
Que se sente desprezado
E espalha seu azedume
Tal qual o porco, o estrume,
Tornando-se um “pé-no-saco”.

O poeta vaidoso
Adora ser elogiado.
Quando isso não acontece,
De cara ele se aborrece
E diz sentir-se desprezado.

Certamente é o caso
De apelar pro analista.
Ou quem sabe de arrumar,
Um padre pra confessar,
Os queixumes da sua lista.

Vaidade é defeito
Disso eu tenho certeza
É tão ruim quanto a ganância,
A raiva, a arrogância,
A preguiça ou a avareza.

É pecado capital.
É tapume pra visão.
Quem dela é escravo,
Está preso com um cravo,
Espetado no coração.

Sua visão é deformada
Pela imagem narcisa -
A sua própria imagem.
Certamente uma miragem
Disforme e imprecisa.

Não há ser aqui na Terra
Desprovido de vaidade:
Há alguns bem mais que outros;
No saco dela estamos todos -
Isso eu afirmo em verdade.




Isaías Gresmés 14/11/2008

sábado, 1 de novembro de 2008

Quando um homem ama uma mulher

Quando um homem ama uma mulher



Quando um homem ama uma mulher
Não há frio ou calor
Nem tristeza nem dor
Nem dor de tristeza
Só há delicadeza
E versos de sobremesa
Murmurados no ouvido

Não há lugar certo para o amor bendito
Só há fogo da paixão
Pode ser no sofá ou no chão
Na cozinha, na pia
No escuro ou de dia
O tempo perde o sentido

Quando esse amor acontece
Ele vive para ela
Ele torna-se parte dela
Ele ri e chora contente
Sem tirá-la jamais da mente


Pode-se afirmar que este homem
Deu razão à sua existência
E dessa nova experiência
Dar-se-á lindos rebentos
Fontes de doces momentos
Pétalas perfumadas de bem-me-quer
Pois quando um homem ama uma mulher
Ele ama uma mulher
Só isso é importante
E o que importa é o que ele mais quer



Isaías Gresmés 01/11/2008

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Pôr-do-sol

Pôr-do-sol

É um vermelho com tom de dourado
Que predomina no findar do dia
parece que Deus pintou com cuidado
O céu, sem marcas de melancolia

E o Sol despede-se bocejando
Caindo, gradualmente, no horizonte
Os passarinhos passam voando
Para descançarem no alto do monte

Fica aqui eu em delírio admirando
A singular visão do sol se pondo
Em cores divinas no entardecer

Diante do show eu só posso pedir
Que enquanto a vida o pai me permitir
Me conceda também forças pra agradecer


Isaías Gresmés 29/10/2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Uma competição

Numa competição
Cujo prêmio seria a vida,
Venci.
E nem vi a morte dos meus
Milhares de oponentes.
Uni-me a minha outra metade
E juntos formamos um.
Logo em seguida
Subdividimos-nos
Em milhares,
Em bilhões de partes distintas.
E cada parte com funções distintas,
Mas intrinsecamente ligadas,
Para formar um todo maior.
Como isso tudo começou?

No princípio era um ponto
Contido dentro de não sei quê;
Que também não sei porquê,
Quis expandir-se.
E assim o fez...
E assim tudo se originou...


Isaías Gresmés 21/10/2008

sábado, 4 de outubro de 2008

No Vale dos Bons Poetas

No Vale dos Bons Poetas

Agora meu mestre está
No Vale dos Bons Poetas,
Soltando o seu beabá
No reino das rimas certas.

Onde o chão é pura luz
Em sua vasta imensidão,
E esse clarão lhe conduz
Ao jardim da inspiração.

Lugar belo, de magia,
Um ambiente perfumado.
(Onde brota a poesia,
Nascem flores bem ao lado).

Encantado com o lugar
E cheio de inspiração,
Decide então versejar
O que está no coração.

Escreve um verso de amor
E logo nasce, ao lado,
Um lírio, de viva cor:
Ele fica deslumbrado.

Alguns poemas vão surgindo
De seu talento brilhante,
Várias flores eclodindo
Sem parar nenhum instante.

O velho mestre, apaixonado
Com a beleza estonteante,
Contempla emocionado
Flores belas no horizonte.

Neste mágico ambiente
Descansa o menestrel:
Onde dorme o sol poente,
Num lugar chamado céu.

Isaías Gresmés 4/10/2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Corpos morrem


Corpos morrem


Todos morrem
Todos os corpos
Máquinas orgânicas
Moléculas carbônicas
Que se desagregam
Que se acomodam
De novo no solo
mas a alma não
Essa é como rio
Busca o seu mar
E quando voltar
Certamente terá
Outra configuração

Isaías Gresmés 03-10-2008

domingo, 31 de agosto de 2008

A voz de Deus em melodias

Raiou o dia,
E os passarinhos iniciam
Uma doce melodia,
Repleta de harmonia,
Em belo arranjo musical.

O sabiá no embuzeiro
Faz um dueto maneiro
Com o estranho urutau.

As pequenas andorinhas,
Com um perfeito bailado
Buscam os cupins alados,
O alimento preferido
Enquanto isso as maritacas
Iniciam algazarras,
Em verdadeiro alarido;
A singela corroíra
Faz seu ninho no telhado,
E constrói um lar amado
Pra criar a sua cria.

Todo dia é assim:
Fica aqui, eu escutando
A voz de Deus se propagando
Nos confins da minha terra.

Contente e feliz
Decido então cantar.
E sinto que a voz de Deus
Ajudo a propagar.
Assim faço a minha parte
Externando a alegria,
Que em mim o Pai plantou,
Logo ao nascer do dia
Aqui, neste canto preservado,
O meu lar idolatrado:
A minha terra querida.

Eu amo os passarinhos;
Essas beldades aladas
Que trazem no coração
O cantar com paixão:
A voz de Deus em melodias


Isaías Gresmés 31/08/2008